Ontem vi este filme: O Mundo Encantado de Beatrix Potter. Por muito que leia sobre cinema, que estude cinema, que veja cinema e tente ser mais culta acerca da Sétima Arte, continuo a gostar de ver filmes com o meu mero olhar de leiga e gosto sobretudo dos filmes que se deixam ser vistos assim. Gosto dos filmes que me contam uma história encantada como se ainda fosse uma menina de cinco anos, do olhar simples e doce que eles me oferecem. Só ali, no cinema, e dentro de nós, pode haver um mundo tão bonito, e como sabe bem acreditar que sim, que ele existe algures. Um viva aos filmes que nos fazem sonhar e sorrir baixinho. Miss Potter é assim, e muito mais!
Hoje eis que liguei a televisão e vi um anúncio – e fervoroso incentivo – aos transportes públicos, a preciosidade termina mesmo com o slogan “Goze a viagem. Vá de transportes.” Ora meus amigos, vamos lá ver uma coisa, certamente que quando eu quero ter uns momentos de alegria me ponho numa qualquer ponta de Lisboa durante 40 minutos à espera de um autocarro da Carris, e de certezinha que quando preciso de uma viagem confortável procuro de imediato a linha verde do Metro de Lisboa em hora de ponta, sim, porque vá, 80% das pessoas vão e vêm do trabalho a essa hora e vamos todos muito sentadinhos e muito contentes de sorriso estampado na cara. E consigo mesmo pensar em mais, quando me lembro que quero ir de Oeiras a Sintra, no mesmo instante penso “Ah, que felicidade, uma viagem de uma hora e meia num autocarro cheio de gente mal cheirosa e um ou outro carteirista”. Sim, viajemos todos de transportes públicos para sermos felizes, gozemos as nossas viagens, qual stress qual quê, o calor humano (efeito sandes) e as longas filas é que estão a render! Convenhamos… o blá blá blá é muito bonito mas é preciso que as coisas funcionem.
Ahhhh que saudades daqueles anúncios da caneta BIC, ou da papa Cérelac, ou da inesquecível Coca-Cola, que ainda hoje consigo cantarolar de cor!! Quais transportes públicos...
Ontem foi o primeiro dia de aulas deste que será o último ano na Faculdade. Apesar de ainda agora ter começado, está sempre presente em alguma parte de mim a ideia de que me estou a despedir de tudo aquilo, que umas vezes melhor outras pior, forma uma grande parte da minha vida há cinco anos. Alguma coisa em nós lembra-nos constantemente que daqui a um ano teremos que "crescer", teremos que dar um passo gigante e que de uma forma ou de outra nunca mais estaremos juntos naquele ambiente. Neste último ano parece que procuro aproveitar todos aqueles sítios mais uma vez, todas as conversas que temos, todas as gargalhadas que damos, algumas fotografias para a posteridade, tudo o que fica guardadinho nas caixinhas da memória.
Vinha para casa ao fim do dia a pensar nisto tudo e a observar, como de costume, as pessoas que estavam no Cais do Sodré à espera do comboio. Naquele sítio tudo acontece, tudo se vê, tudo se passa. Na fila dos bilhetes alguém me toca no ombro, olho para trás e lá estava ela, uma senhora pequenina devido às maleitas da coluna, cabelos branquinhos, as rugas de quem já viveu muito e muito mais tem para contar. Pergunta-me se a caixa está aberta mas abre um sorriso imenso e diz "tenho que me encostar um bocadinho". Andava devagarinho e fazia-me lembrar pessoas de quem tenho muitas saudades, retribuí o sorriso. Pediu-me que a acompanhasse ao comboio porque as pernas já não são o que eram e tem medo de cair. Lá fomos, no início de uma grande conversa que tenho a certeza que não esquecerei. Era frágil, como uma criancinha, mas uma criança com mil histórias, mil histórias que partilhou comigo, na magia dos seus 76 anos de idade. Tem filhos, tem netos, tem um legado e uns olhos brilhantes ao falar em tudo isso. Sobretudo, a vontade que ainda tem de ver a sua Lisboa, de passear pela sua cidade, relembrar como era antigamente e sentir como é agora. Contou-me sobre as pessoas especiais que outrora conhecera, falou-me de lugares chiques, de lugares menos bonitos, mas sempre terminando num "Eu gosto tanto de passear em Lisboa". Descobrimos ambas (e lembrei-me de ti, Vitor) como ficamos contentes ao passar pela Brasileira onde o nosso querido Pessoa continua sentado, ao olhar para ele e lhe dizermos "Olá" em silêncio, ao passearmos com ele por mundos infinitos onde tudo pode ser como nós quisermos. Acabou a viagem, chegámos a Oeiras, dei-lhe o braço à saída do comboio. Disse-me "Muitas felicidades minha querida", oferecemo-nos um sorriso - que melhor presente?
Isto de ser aluna de Artes do Espectáculo na FLUL lá vai tendo uma ou outra vantagem e a última foi termos sido convidados para assistir ao ensaio geral da peça Tanto Amor Desperdiçado, de William Shakespeare, que estreia amanhã no Teatro Nacional D.Maria II.
Para ser sincera, nunca fui grande fã das peças que vi no D. Maria, pelo contrário, cheguei a ter pensamentos muito obscuros acerca daquele teatro :P Para mim era inconcebível um teatro nacional apresentar peças de tão baixo nível e que, na minha modesta opinião, assassinavam qualquer beleza que o teatro português pudesse ter.
Ontem resolvi dar o benefício da dúvida (mais uma vez) e ir assistir à referida peça. O que tenho a dizer é: ainda bem que fui. O espectáculo é uma co-produção entre o Teatro Nacional e a Companhia francesa La Comédie de Reims, dirigida pelo encenador Emmanuel Demarcy-Mota e o resultado é uma peça envolvente, cómica, melodiosa, bonita.
Do texto pouco há a dizer, apesar de ser um dos menos conhecidos de Shakespeare, basta ouvir as primeiras deixas para percebermos quem as escreveu. É cómico, profundo e inteligente como nenhum outro.
Gostei do cenário, simples, diferente, directo, com o público mesmo ali ao lado, pisando o mesmo chão que os actores. E os actores, alguns deles já nos habituaram à boa representação, outros menos conhecidos, foram uma boa surpresa, é de facto um elenco digno de uma peça de Shakespeare.
Por fim, gostei das opções de encenação, do bilinguismo, da harmonia que se cria (depois de um primeiro impacto) entre o português e o francês, de duas culturas que se cruzam, que se confrontam e por fim se entrelaçam numa só voz.
Inestética apresenta O GATO PRETO E OUTROS FANTASMAS - Quinta de Subserra, São João dos Montes, Vila Franca de Xira – de 13 a 16 de Setembro, pelas 21h30. Reservas online: http://www.inestetica.com/teatro/gatopreto/gato.html
A Inestética marca a sua presença em Vila Franca de Xira por ser a única companhia de teatro profissional daquele sítio, e marca a diferença em todo o país pelas suas peças carismáticas, por um teatro avangarde, pouco dado a convencionalismos. A concepção visual e a novidade são os motes para qualquer peça deste grupo.
Desta vez, o encenador Alexandre Lyra Leite arriscou numa peça ainda mais original. Partindo do conto The Black Cat, do reconhecido Edgar Allan Põe, surgiu O Gato Preto e Outros Fantasmas. O público é convidado a entrar no mundo fantástico do escritor inglês, ao mesmo tempo que é puxado para imagens cinematográficas de algum suspense digno de filme de terror. O sítio, apesar de longínquo e recôndito, não poderia ser mais envolvente e misterioso, será que o fantasma de D. Leonor anda mesmo por lá? Será que o Plutão ainda caminha pela Quinta da Subserra?...
Nos próximos dias 13, 14, 15 e 16 de Setembro, aconselho a todos esta viagem fantástica pelo bonito palácio, pela misteriosa quinta, pelo ambiente algo creepy, que promete um ou outro arrepio na espinha!
Prefiro não dizer um adeus mas sim um até sempre, porque é para sempre que Luciano Pavarotti vai marcar a minha vida. Lembro-me de ser muito pequenina e estar com o meu avô em casa a ouvir horas a fio o senhor a cantar e depois eu por-me a berrar a alto e bom som para todo o prédio ouvir O Sole Mioooooo… É para sempre que vai ficar a memória de como nos divertíamos com aquilo, talvez como ele próprio se divertia enquanto actuava! Para mim, o “tenor gigante” era daquelas pessoas que nunca iriam morrer, porque faz parte do meu mundo intocável e, para mim, não morreu.
Para a Xu, que ontem virou uma página muito importante na sua vida. É um lugar comum o que vou dizer, mas não te esqueças que “quando uma porta se fecha, muitas janelas se abrem”. E é mesmo assim, há um mundo novo que espera por ti, é só querer agarrá-lo. E o que passou… fica guardado onde as memórias não têm fim, no coração.
É muito bom ter-te de volta! Bem-vinda a Lisboa!!!! :D
Oeiras continua a fazer jus ao seu lema "Oeiras marca o ritmo!", desta vez com a apresentação do XII Ciclo de Dança, nos dias 31 de Agosto, 7 de Setembro e 14 de Setembro, pelas 21h30, no Jardim do Palácio do Marquês de Pombal, mesmo no centro da vila de Oeiras.
A entrada é livre, o sítio é fenomenal e as Companhias que actuam valem a pena, para umas noites bem passadas neste final de Verão... A não perder!!!
31 de Agosto: Bulgarian Dream Dancers – The Legend (Foi espectacular!) 7 de Setembro: Ballet Folclórico do Chile – Bafochi 14 de Setembro: Incoballet da Colômbia
Nota: A entrada para os Jardins do Palácio faz-se pela porta a seguir ao sobe e desce, onde está uma placa a dizer INA.
... como voltar para casa num autocarro abafadíssimio, cheio de gente, no meio daquilo que eu julgo já ser um movimentado centro urbano e, ao olhar para o lado, numa pequena ribeira que corre como sempre, parecendo que o tempo não passa por ali, uma fila de pequenos patinhos seguiam a sua mãe pata...
Hoje andarei pela rua com a t-shirt que comprei na Dinamarca a dizer COPENHAGA em todas as línguas, como homenagem a todos os benfiquistas!! Ahahah!!! :P
Para divertir quem está de férias ou para descontrair quem trabalha, acho que estamos na altura ideal para reviver estes momentos guardados no fundo das caixinhas da memória! Desta vez fui buscar o grande, único, espectacular, mirabulante MONSTRO DAS BOLACHAS!!! É verdade, quem não se lembra dele?? Pois muito bem, aqui fica este bonito momento musical. Em baixo deixo a letra da música [que merece a devida atenção] para quem quiser cantar com ele, qual karaoke!! ;) Ah e não esqueçamos o ilustríssimo coro!!! :D C is for cookie... lalalala!
Now what starts with the letter C? Cookie starts with C Let's think of other things That starts with C Oh, who cares about the other things?
C is for cookie, that's good enough for me C is for cookie, that's good enough for me C is for cookie, that's good enough for me Oh, cookie, cookie, cookie starts with C
C is for cookie, that's good enough for me C is for cookie, that's good enough for me C is for cookie, that's good enough for me Oh, cookie, cookie, cookie starts with C
Hey you know what? A round cookie with one bite out of it Looks like a C A round donut with one bite out of it Also looks like a C But it is not as good as a cookie Oh and the moon sometimes looks like a C But you can't eat that, so...
C is for cookie, that's good enough for me, yeah! C is for cookie, that's good enough for me C is for cookie, that's good enough for me Oh, cookie, cookie, cookie starts with C, yeah! Cookie, cookie, cookie starts with C, oh boy! Cookie, cookie, cookie starts with C!
(Cookie Monster eats the cookie) Umm-umm-umm-umm-umm
Vou te contar... Numa noite de Agosto das melhores que este ano já viu, alguém se lembrou de um lugar encantado, ali mesmo à beira-mar, onde a terra abraça o oceano. Ali mesmo, onde para além da noite apenas se ouvem as ondas a bater nas rochas e se vêem estrelas cadentes mergulharem por cima de nós. Ao fundo, ouvia a melodia do Wave no saxofone, que acompanhava tudo o que era perfeito naquela noite e balbuciava: Da primeira vez era cidade Da segunda o cais da eternidade Agora eu já sei da onda que se ergueu no mar E das estrelas que esquecemos de contar... Não me esqueci de as contar, mas as estrelas conseguem envolver-se com a música estender-se sobre nós como milhões de pontinhos luminosos que se acendem no céu e cintilam ao sabor dos nossos pensamentos. É aí que pensamos nas pessoas que estão longe, é aí que pensamos em quem já cá não está, é aí que pensamos no que construímos e no que o tempo foi destruindo. O resto é mar, é tudo o que eu não sei contar... O barulho do mar parece querer trazer-nos de volta à realidade, luzes do farol reflectidas na água lembram-nos do nossos portos de abrigo. Mais tarde, o fogo-de-artifício da baía vem-nos saudar e comemorar tudo isso que há de tão bonito, que os olhos não podem ver e só o coração pode entender. Esse mundo de coisas invisíveis aos olhos, como dizia o Principezinho, que se mostra em sítios e noites como aqueles. Afinal, aqui mesmo ao pé da cidade, há tantos lugares encantados... Vou te contar...
As Pontes de Madison County, de Robert James Waller
O meu livro do momento diz assim:
Há canções que vêm das pradarias de flores azuis e do pó de mil caminhos. Esta é uma delas. (...) A nossa tendência para classificar como piegas sentimentos genuínos e profundos, dificulta a entrada no campo da delicadeza, tão necessário para compreender a história de Francesca Johnson e Robert Kincaid. (...) Se, contudo, abordarem o que se segue renunciando momentaneamente à incredulidade, para utilizar a expressão de Coleridge, estou certo de que sentirão o que eu senti. Nas zonas indiferentes dos vossos corações, poderão encontrar, tal como Francesca, um lugar para voltar a dançar.