Há dois filmes que me marcaram muito até hoje, aliás há muitos, mas hoje encontrei um ponto em comum entre estes dois. São eles Stepmom (Lado a Lado) e One True Thing(Podia-te Acontecer) e hoje enquanto revia o primeiro descobri que apesar de serem histórias que nos podem fazer chorar até ao fundo da alma, ambos têm uma cena deliciosa e muito igual de certo modo, uma cena capaz de encerrar todos os restantes momentos do filme num quadro quase perfeito e revelar tudo o que está por acontecer. Pelo valor emocional e visual, e sobretudo pela sua simplicidade, tornaram-se em duas das minhas cenas preferidas do cinema. Delightful é a única palavra que me ocorre para as descrever e hoje apeteceu-me mesmo partilhá-las. Aqui ficam.
Nota: Curiosamente, os filmes são do mesmo ano, 1998.
Tenho uma questão. Uma questão muito importante. Portanto, estão a ver aquela tralha informática que se acumula algures numa caixa ou num canto poeirento, tipo ratos que já não funcionam, teclados que funcionam mas são do tempo da Maria Joaquina, carregadores de telemóveis que já nem sequer existem ou porque foram roubados ou porque qualquer outro infortúnio lhes sucedeu? Pois bem, meus amigos, a minha dúvida é...
ONDE SE DEITA FORA ESSA TRALHA?
Partindo de um príncipio ecológico e amigo do ambiente, suponho que não seja no lixo normal, ora muito bem, ENTÃO ONDE É?? Tenho toda uma pequena montanha que se acumula e que me está a deixar nervosa, extremamente nervosa.
Chegaram o frio, as castanhas quentinhas (e boas), o cheiro a Inverno, as folhas que caiem das árvores escurecidas pelo tempo que passou, as caras rosadinhas, os sorrisos escondidos por entre os cachecois enquanto os olhos cintilam ao verem as luzes de Natal que também hoje se acendem.
Ainda sobre o filme Mamma Mia!, vi, revi, adorei, cantei, continuo a cantar, vi no YouTube entrevistas e conferências de imprensa sobre... ok! Para mim, uma das grandes surpresas deste ano no cinema. Quando vi o trailer pensei "Boa, é muito giro mas o filme inteiro não deve passar disto", felizmente enganei-me e parece que não fui a única a gostar. O filme de Phyllida Lloyd já é o mais visto de SEMPRE no Reino Unido, contrariando muitos críticos (note to self: pseudo-intelectuais) que não souberam compreender nada do que ali se passou durante duas horas. Claro que não é um filme para receber um Óscar, claro que não é um filme com uma história profundíssima, claro que não é um filme sobre o qual tenhamos que meditar durante muito tempo. Se vão à procura de uma coisa assim este não é o tipo indicado, de todo. Como li algures, é um filme karaoke. Uma pessoa entra na sala, senta-se, vê o filme, canta com os actores, tem vontade de se levantar e dançar, solta umas valentes gargalhadas e no final sai da sala com um sorriso de orelha a orelha. Era essa a intenção de Mamma Mia!, entreter, divertir. E numa altura em que o assunto é única e exclusivamente a crise, em todo o mundo, este ensemble de músicas com as magníficas paisagens das ilhas gregas e uma história daquelas que todos nós sonhamos pelo menos uma vez na vida, foi uma lufada de ar fresco e ficará para a posteridade precisamente por essa razão. O argumento, já o disse, é fraquinho, mas no contexto do filme, é provavelmente o que menos importa. A ideia, por sua vez, foi de génio, mérito da inglesa Catherine Johnson, também criadora do guião para peça homónima da Broadway, já vista por milhões de pessoas, incluindo aqui em Lisboa. Conseguir criar uma história a partir das músicas de uma única banda, a meu ver, é uma grande ideia! Até porque, se alguém não conhecesse os Abba poderia mesmo dizer que aquelas músicas foram feitas para criarem uma narrativa, para se interligarem umas com as outras, mas não, não me parece que Bjorn, Benny, Agnetha e Frida estivessem muito preocupados com isso nos seus áureos anos 70. A par do grande cenário e das melodias que insistem e persistem na nossa cabeça, há grandes interpretações que tornam o filme hilariante, e nisto, vá lá, os críticos estão de acordo. Meryl Streep, o que dizer? É mesmo capaz de fazer o que quiser, cada filme onde a vemos é uma nova e feliz surpresa. A actriz de 59 anos interpreta o papel de Donna, que supostamente terá uns 40. Pergunto eu, notam a diferença de idade? Não, não notam. Aliás mexe-se como se tivesse...vinte! E já a tinham visto cantar? Pois é, canta e canta muito bem! Do estilo de arrepiar quando as frases são The Winner Takes It All, e como!! Se dúvidas restassem, aí está, Meryl Streep a mostrar porque é considerada por muitos a melhor actriz do seu tempo (ou de sempre). Mas há mais, curvemo-nos perante Christine Baranski e, sobretudo, perante Julie Walters. Também não estamos habituados a vê-las neste registo e aí estão elas, a roubarem-nos as mais sonoras gargalhadas do filme... e também cantam!! Os homens são Pierce Brosnan, Colin Firth e Stellan Skarsgard. O primeiro, enfim, apesar da duvidosa capacidade vocal, mantém-se como um senhor ao longo de todo o filme. O eterno Mr. Darcy, igual a sempre, também não canta muito mas apetece-nos cantar com ele e trazer tb a Bridget Jones. O terceiro, apagadito, não se dá muito por ele na verdade. E por fim, as duas revelações, Amanda Seyfried, que tem uma voz descomunal mas um longo caminho a percorrer, ou em benefício da dúvida, talvez fosse apenas o entusiasmo do seu primeiro filme, por vezes extremamente exagerado... e Dominic Cooper, que, igualmente, canta muito, mas como actor ainda está só na fase de gatinhar. Conclusão, se estiverem num mau dia, vejam Mamma Mia!, vai melhorar, se estiverem num dia bom, vejam Mamma Mia!, vai melhorar também! É um filme de Verão sim senhor, mas também é um filme de Inverno, daqueles que nos apetece ver dentro de uma manta enquanto chove torrencialmente lá fora.
Com Novembro, o frio e as castanhas chega também a nova época do Berloque, hoje oficialmente reaberta! Ainda com algumas alterações por fazer, é certo, outras alterações já feitas mas ainda em "fase de fermentação cerebral"... O que é certo é que em fase de muitas mudanças, o meu Berloque está de volta e de carinha renovada. Estava cheia de saudades de escrever aqui!!!
PS. Agora estava aqui tão concentrada que nem me apercebi que devo estar há uns 20 minutos a ouvir o Domingo Desportivo...
Para mim este Setembro é sinónimo de início de uma nova fase, por isso também o meu berloque merecerá uma cara renovadinha!
Enquanto isso não acontece, nada melhor do que partilhar neste mundo blogueiro um pouquinho daquilo que foram as minhas férias. Percebi que tenho uma enorme "pancada" por fotografar os pés em todo o lado... e eu que até nem simpatizo muito com pés! Mas enfim, assim sendo, resolvi mostrar-vos por onde andaram os meus (e outros) pés nos últimos dois meses! :)
Aqui fica...
Pés sobre Cala Bassa (Ibiza)
Pé da M. atacado pela medusa (Cala Bassa, Ibiza)
Pés que vão de barco (Ibiza-Formentera)
Pés cúmplices, pés amigos (Formentera)
Pés que flutuam (Formentera)
Pés à beira-mar (Cala Pada, Ibiza)
Pés na praia (Cala Pada, Ibiza)
Pés em Formentera
Pés enterrados na areia branca (Formentera)
Pés com peixe (Portinatx, Ibiza)
Pés, corpo e alma na cidade encantada, Ljubljana (Eslovénia)
Pés que olham para baixo (Castelo de Ljubljana)
Pés em Portoroz (Eslovénia)
Pés no Adriático (Portoroz, Eslovénia)
Pés no Lago Bled (Eslovénia)
Pés com pés de Mãe (Lago Bled, Eslovénia)
Pés nos Alpes Julianos (Bohinj, Eslovénia)
Pés no Lago Bohinj (Eslovénia)
Pés nas Grutas de Postojna (Eslovénia)
Pé no Castelo de Predjama (Eslovénia)
Pé no Danúbio (Budapeste)
Pés que (não) seguem outros pés* (Budapeste)
Pé nas marcas da guerra**(Budapeste)
Pés que não estão (Budapeste)
Pés de liberdade (Citadela, Budapeste)
Pé na Sinagoga (Budapeste)
Pé em pé Comunista (Memento Park, Budapeste)
Pés Estalinistas (Memento Park, Budapeste)
Pé em carpete de sangue azul (Parlamento de Budapeste)
Pé parlamentar (Parlamento de Budapeste)
Pés na Ilha Margarida (Budapeste)
Pés em fim de dia e fim de férias (Ilha Margarida, Budapeste)
* Na margem do Danúbio, do lado de Peste, pode ver-se uma fileira de sapatos em pedra, em homenagem às vítimas que foram torturadas e se suicidaram no Danúbio, deixando para trás apenas... os seus sapatos.
** Actualmente este edíficio é um dos inúmeros teatros de Budapeste. Situado na entrada da cidade velha de Buda, os muitos buracos que se vêm nas suas paredes são as marcas dos projectéis que o atingiram durante a II Guerra.
É verdade, L-I-C-E-N-C-I-A-D-A! Euzinha!! Muita coisa para partilhar aqui no meu berloque, com o delay de alguns meses, mas aos poucos contarei tudo o que há para contar e sobretudo para mostrar, aquelas paisagens maravilhosas de Ibiza e Formentera!!
Quando a vida me parece pequena tenho vontade de tocar no sol, de subir e escorregar num arco-íris perfeito no meio de um céu azul, tenho vontade de me sentar numa nuvem branca e olhar o mundo lá de cima. Quando a vida me parece pequena tenho vontade de um abraço, uma vontade de entrelaço, de proximidade, de amizade, sei lá, como dizia o Vinicius. Tenho vontade de dizer que te amo, e a ti, e a ti, e a ti, e a ti também, porque é verdade. Dizer que me fazem falta todos os dias. Quando a vida me parece pequena apetece-me correr pela praia numa tarde de chuva, ou dançar pelas ruas pequeninas de Lisboa enquanto oiço na minha cabeça a velhinha Ain't No Mountain HighEnough ou a moderníssima Mercy. Quando a vida me parece pequena apetece-me dizer-te que não te preocupes, porque nos preocupamos com coisas demais, apetece-me dizer-te que tudo correrá bem, sei que sim. E apetece-me falar com as pessoas que já cá não estão e dizer que tenho saudades. Quando a vida me parece pequena, tenho vontade de viajar pelo mundo de balão, e de barco, e de comboio, de ser saltimbanco por tempo indeterminado. Tenho vontade de conhecer pessoas, culturas, de ver coisas que nunca imaginei. Quando a vida me parece pequena tenho vontade de aplaudir um espectáculo, de me emocionar com uma multidão que em conjunto balança por uma causa. Tenho vontade de agradecer e de sorrir por um gesto bonito. Quando a vida me parece pequena tenho vontade de que todo o mundo esteja na mesma sintonia, e de fazer o meu mundo estar na mesma sintonia. Quando a vida me parece pequena tenho vontade de tantas coisas!!...
Chegar a casa e ver em cima da mesa um postal ou uma carta de alguém que está longe e de quem gostamos muito é como sermos pequeninos e darem-nos inesperadamente um rebuçado. Ao mesmo tempo que ficamos muito contentes, queremos aproveitá-lo até ao último segundo.
Entramos na sala principal do São Luiz, é imponente, é enorme, vermelha e dourada, um grande palco, balcões, frisas, como apenas nos teatros de antigamente. O São Luiz é um teatro de antigamente, que soube chegar aos dias de hoje e entrar no século XXI. Mas é maravilhoso sentarmo-nos nas cadeiras da sala principal apenas a contemplá-la e sentirmos que tantas coisas, tantas pessoas por ali já passaram, tantas premieres entusiasmadas, tantas despedidas emocionadas, tantas palavras guardadas por aquelas paredes.
Lá em cima, quase passa despercebida, uma frase de Camões "Fazei mais o que souberdes", e assim estou a tentar fazer e a descobrir como se faz aquilo que não sei.
Tenho saudades de escrever no meu berloque com calma, e de visitar os vossos berloques, mas este fascínio que tenho descoberto pela pesquisa tem compensado a falta de tempo das últimas semanas.
Estamos a entrar em Maio, último mês de estágio e ainda há tanto por fazer, tantos livros por ler, tantos acontecimentos por descobrir e sobretudo, tanto para escrever mas estou ansiosa pelo resultado final. Só espero que consigamos passar para o papel tudo o que tem sido esta viagem pela história e pelo presente do Teatro São Luiz!
Desde que a UNESCO (através do Instituto Internacional do Teatro) instituiu em 1961 o Dia Mundial do Teatro, todos os anos temos uma Mensagem que celebra, pensa ou analisa o teatro no Mundo. Este ano, a mensagem foi escrita por Robert Lepage, actor, encenador e dramaturgo canadiano.
"Existem várias hipóteses sobre as origens do teatro, mas aquela que me interpela mais tem a forma de uma fábula: Uma noite, na alvorada dos tempos, um grupo de homens juntou-se numa pedreira para se aquecer em volta de uma fogueira e para contar histórias. De repente, um deles teve a ideia de se levantar e usar a sua sombra para ilustrar o seu conto. Usando a luz das chamas ele fez aparecer nas paredes da pedreira, personagens maiores que o natural. Deslumbrados, os outros reconheceram por sua vez o forte e o débil, o opressor e o oprimido, o deus e o mortal. Actualmente, a luz dos projectores substituiu a original fogueira ao ar livre, e a maquinaria de cena, as paredes da pedreira. E com todo o respeito por certos puristas, esta fábula lembra-nos que a tecnologia está presente desde os primórdios do teatro e que não deve ser entendida como uma ameaça, mas sim como um elemento unificador. A sobrevivência da arte teatral depende da sua capacidade de se reinventar abraçando novos instrumentos e novas linguagens. Senão, como poderá o teatro continuar a ser testemunha das grandes questões da sua época e promover a compreensão entre povos sem ter, em si mesmo, um espírito de abertura? Como poderá ele orgulhar-se de nos oferecer soluções para os problemas da intolerância, da exclusão e do racismo se, na sua própria prática, resistiu a toda a fusão e integração? Para representar o mundo em toda a sua complexidade, o artista deve propor novas formas e ideias, e confiar na inteligência do espectador, que é capaz de distinguir a silhueta da humanidade neste perpétuo jogo de luz e sombra. É verdade que a brincar demasiado com o fogo, o homem corre o risco de se queimar, mas ganha igualmente a possibilidade de deslumbrar e iluminar." E apenas em jeito de recordação, para mim uma das mais bonitas e mais marcantes mensagens do dia mundial do teatro foi a de 2005, escrita por Ariane Mnouchkine, pode ser lida AQUI.
Ontem tive o prazer de ver na RTP a gala de homenagem aos 50 anos de carreira de Simone de Oliveira e confesso que gostei muito, um espectáculo à grande e à lá française mas gostei ainda mais do que se seguiu, a Grande Entrevista, também ela com Simone de Oliveira entrevistada por Judite de Sousa. Simone é uma artista com A grande, uma mulher com M grande, uma lutadora com L grande, conhece o nosso Portugal como poucos o conhecem e fala dele conforme as memórias permitem alinhavar palavras, fala dele com a comoção de quem já viu muito e de quem ainda tem muito para dar. Sim senhora, levanto-me e aplaudo de pé!
Para quem não viu a entrevista, aqui fica a primeira parte, alguém teve a luz de a por inteirinha no Youtube!
As Pontes de Madison County, de Robert James Waller
O meu livro do momento diz assim:
Há canções que vêm das pradarias de flores azuis e do pó de mil caminhos. Esta é uma delas. (...) A nossa tendência para classificar como piegas sentimentos genuínos e profundos, dificulta a entrada no campo da delicadeza, tão necessário para compreender a história de Francesca Johnson e Robert Kincaid. (...) Se, contudo, abordarem o que se segue renunciando momentaneamente à incredulidade, para utilizar a expressão de Coleridge, estou certo de que sentirão o que eu senti. Nas zonas indiferentes dos vossos corações, poderão encontrar, tal como Francesca, um lugar para voltar a dançar.